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Estudo publicado na revista Circulation em Junho de 1999 demonstra que o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) aumenta cerca de 24 vezes durante uma hora, após o uso de cocaína, mesmo em indivíduos com baixo risco cardiovascular.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center em Boston (EUA) e se denominou Determinants of Myocardial Infarction Onset Study (em português, "Estudo de fatores determinantes do início de um infarto agudo do miocárdio").
A pesquisa foi realizada com cerca de 4000 homens e mulheres que sobreviveram a um IAM - estes pacientes foram entrevistados em média 4 dias após o episódio do infarto.
Foram identificados 38 indivíduos que haviam feito uso da droga no período de 1 ano anterior ao episódio, e 9 pacientes que haviam usado cocaína no período de 1 hora que antecedeu à ocorrência do IAM. Os usuários de cocaína eram em média significativamente mais jovens, na maioria do sexo masculino, fumantes e pertencentes a minorias étnicas.
Os autores calcularam que os usuários de cocaína apresentam um aumento de 24 vezes no risco de IAM na hora subsequente a utilização da droga, risco esse que diminui rapidamente logo em seguida. Algumas hipóteses foram levantadas para o aumento de risco, tais como: aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial e da contratilidade do ventrículo esquerdo.
A associação do uso da cocaína à doenças cardíacas isquêmicas já vem sendo investigado há vários anos: já se sabia anteriormente que a cocaína agudamente absorvida diminui a contratilidade do músculo cardíaco, reduz o calibre das artérias coronárias e o fluxo sangüíneo no seu interior, causa arritmias cardíacas, e aumenta a freqüência cardíaca e a pressão arterial - estes efeitos acabam por determinar um desarranjo entre o suprimento de oxigênio ao coração e o consumo aumentado, causando um infarto. Assim, o estudo atual representa a comprovação clínica em grande escala do que já se conhecia anteriormente.
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